segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Os pobres e a política

Alunos dos Terceiros regulares e integrados segue texto para trabalho extra... Data final para postagem dos comentários 11 de novembro de 2012 (Fiquem atentos pois não haverá prorrogação de datas).

Todos os comentários devem conter nome completo, série e turma.

Os pobres e a política

23/09/2012
 

Os filósofos chamam o estado de cidade. A razão disso é simples: as cidades gregas, onde se iniciou o pensamento político, eram elas próprias estados. Eram cidades-estados. Então, cuidar da cidade era cuidar do estado. Cuidar da cidade era cuidar da polis, o nome dado pelos gregos às cidades. Essa tarefa de administrar a polis de modo a fazer todos viverem bem e serem felizes ficou conhecida como a política.
A cidade antiga tinha escravos e cidadãos livres. A cidade moderna não possui escravos, mas possui algo que também havia nas cidades antigas que trazia preocupação: os pobres.

Durante a Idade Média, ou seja, quando as cidades perderam importância e o mundo rural tinha mais habitantes que o mundo urbano, os pobres não eram preocupação, eram solução. Ao menos assim foi no Ocidente. Jesus havia falado que os ricos teriam dificuldade de entrar no Céu por conta de se apegarem às suas fortunas mais do que às regras dele próprio, e então os ricos resolveram isso com muita facilidade: passaram a dar esmolas. Ou davam diretamente para os pobres ou davam para a Igreja, de modo que esta deveria cuidar deles. Assim, se alguma criança não muito pobre perguntava para o seu pai “por que existem os pobres”, essa pergunta não causava nenhum constrangimento. O que era difícil responder no mundo antigo e o que é ainda hoje não é muito simples de explicar para as crianças, era facilmente respondido na Idade Média: os pobres existem para que os ricos possam fazer boas ações e irem também para o Céu, onde os pobres já tem cadeira cativa.

Com essa resposta os pobres podiam não amargar a vida com a pobreza e os ricos podiam muito bem se imaginar se safando do Inferno. Uma resposta assim não era cabível no mundo antigo clássico como não é boa em nosso mundo moderno. Além disso, tanto no mundo antigo quanto no mundo moderno, por conta de sua vida essencialmente urbana, os pobres não tinham e não tem a ver com a pergunta pela razão de sua existência, mas forçam-nos pensar em perguntas sobre “o que fazer com eles?”. Pobres demais criam na cidade problemas de toda ordem: a mendicância aumenta e os saques se tornam uma ameaça quando o emprego diminui. Mesmo em tempos regulares, qualquer oscilação no nível de emprego se relaciona com aumento e diminuição da violência urbana, do banditismo. Além disso, a pobreza amplia as áreas de cortiços e favelas, favorecendo o comércio de coisas ilegais – nos nossos dias, principalmente a droga. Isso sem contar os problemas de urbanismo: a poluição de rios de modo mais rápido e a necessidade de aumento de impostos gerais para que a cidade mobilize algum aparato público de serviços para os que vivem em lugares onde a iniciativa privada pouco se interessa em oferecer serviços.

No mundo antigo algumas cidades adotaram estranhas políticas em relação aos pobres. Algumas cidades procuraram diversificar o comércio com outros lugares, de modo a dar emprego aos pobres. Ao mesmo tempo, fizeram guerras de conquistas, podendo então justificar a cobrança de impostos dos mais ricos para sustentar grandes exércitos que, por eles mesmos, eram fonte de emprego. Outras cidades tiveram ideias menos pacienciosas. Por exemplo, Siracusa, aquela que Platão visitou três vezes, fez uma política de “exportação” de pobres. Engaiolou-os e os vendeu como mão de obra (semi livre) para colônias gregas carentes de mão de obra.

No mundo moderno os pobres, ao menos no século XX, adquiriram uma importância jamais vista. Nem mesmo na Idade Média eles ficaram tão importantes. É que a democracia liberal se tornou o tipo de governo de boa parte do Ocidente e, nela, sendo os pobres ou os “remediados” uma quantidade não pequena de pessoas, a pobreza passou a ser cortejada pelos políticos. Os políticos se dividiram em esquerda e direita. A esquerda passou a defender os trabalhadores e, enfim, os pobres em geral. A direita passou a defender o status quo vigente, ou seja, a propor que quanto menos mudanças melhor, especialmente se essas mudanças implicassem em fazer o estado cobrar mais impostos em favor de redistribuição de renda. Tudo iria piorar se assim se fizesse. É mais ou menos assim que vivemos hoje, nesse embate.

Os políticos da esquerda batem na tecla que os pobres precisam de uma ajuda estatal de vez em quando, principalmente no começo de suas vidas individuais e no fim delas: necessitam de condições para estudar que sejam semelhantes àquelas que os ricos já possuem desde o nascimento, e devem ter uma previdência social para a velhice. A direita diz que se o estado cobra impostos de todos para prestar serviço aos pobres, esses serviços podem não ocorrer, pois os políticos tendem a levar o dinheiro embora por meio da corrupção. O estado sempre seria bom arrecadador, mas péssimo gastador. Além disso, mesmo que os serviços fossem oferecidos, não seriam oferecidos com a presteza possível que caracterizaria a iniciativa privada. E mais: ao ajudar os pobres, os educaria de maneira a cultivar neles a indolência, não a iniciativa.

Nesse debate aparecem os intelectuais das universidades e os jornalistas. Eles são os que comentam tudo isso e, não raro, em época de eleições eles se aproximam dos partidos políticos para oferecer serviços de todo tipo. Querem ser a voz dos partidos e dos políticos, direta ou indiretamente. Ouvimos esses intelectuais. Mas, em geral, todos eles têm lá seus pecados. Os da direita às vezes mostram que não possuem tanta raiva dos da esquerda quanto do grupo que os da esquerda defendem. Ou seja, deixam transparecer que possuem mais ódio dos pobres que dos que dizem estar do lado dos pobres. Intelectuais assim, não raro, ferem nossa sensibilidade liberal e/ou cristã. Mas os da esquerda às vezes mostram que não tem apreço pela nossa inteligência, pois chegam a prometer coisas que já prometeram várias vezes e, se cumpriram, o fizeram do jeito deles, não do nosso. Nem sempre o que cumpriram era o que nós realmente precisávamos. Não raro, nos manipulam com tais dubiedades entre o “o que foi possível fazer” e o que de fato queríamos.

Tudo isso é a política moderna. Mas há nisso tudo um componente psicológico que nos atinge duramente, e este talvez seja um dos problemas mais difíceis de resolver em nossas sociedades ocidentais modernas: a inveja e de sensação de injustiça entre grupos. Há um nível de inveja suportável em nossas sociedades, mas ele pode crescer mais do que esperamos quando os ricos e os pobres começam a ter entre si um fosso estranho, que implica em fazer cada lado se sentir acuado e um pouco frustrado.

Um fosso entre ricos e pobres não despertaria inveja se ricos e pobres não se encontrassem e não se vissem senão em situações adrede preparadas. Mas, em nossa sociedade cercada de tecnologia, ricos e pobres, se não se enxergam, ao menos possuem a TV como espelho que os mostra uns para os outros. Espelho distorcido, mas ainda assim, espelho. E havendo espelho, pode haver comparação e, então, também aspirações não realizadas e, por isso, frustração e inveja. Uma sociedade possui níveis de tolerância para com esses sentimentos.

Os pobres podem muito bem não encontrar jamais os ricos. Mas os pobres podem fazer uma ideia dos ricos por meio da TV, especialmente reportagens e novelas. E agora de modo mais direto e mais realista pela Internet. A questão então é a seguinte, do lado do pobre: por que aquela pessoa que não se aparece tão diferente de mim tem o que eu não posso ter? Essa pergunta pode incomodar pouco, mas há momentos em que ela pode incomodar muito e, pior, muita gente pobre. O mais engraçado é o que o rico também sente inveja e também se apresenta ressentido: “por que aquela pessoa que não tem etiqueta e estudo pode ocupar a mesma mesa que eu nas negociações de salários e mesmo em reuniões com o governo?”
Quando isso acontece, quando a grama do vizinho parece mais verde e isso se torna uma “doença dos olhos” de todos em relação a todos, os laços de solidariedade necessários em uma sociedade, em uma cidade, ficam abalados. A sociedade começa a não funcionar direito.

A direita política ou, melhor dizendo, seus intelectuais propagandistas, tem uma enorme dificuldade de perceber isso, de levar a sério esse fenômeno. Ela prefere acreditar que só pobre e só gente de esquerda é ressentida. Ela não vê que a inveja e o ressentimento também brotam do lado dos ricos, e isso fica mais forte quando por questões de conjuntura o governo está nas mãos da esquerda. Ela não vê como algo explosivo. A esquerda também não entende esse fenômeno, porque para ela a distância entre ricos e pobres é algo que dói no bolso, não no coração. A esquerda despreza os elementos psicológicos dessa relação e, por isso mesmo, perde as rédeas de seus próprios comandados. Não raro, os pobres resolvem votar em alguém isolado, sem base partidária, que se apresenta como um vingador, alguém que diz que irá prender “os que ganham muito”. Essas figuras vingadoras são um perigo para a democracia liberal. Em algumas épocas elas aparecem desgarradas da esquerda e em outras da direita. Elas se aproveitam daquilo que os gregos diziam que era uma figura horrenda, que era descarnada e vomitava um líquido verde, fazendo adoecer os olhos das pessoas, que então ficavam obcecadas pelo que o outro tinha e elas pareciam não ter: a Inveja. É com a inveja que os vingadores e falsos heróis da política jogam para poder arrebanhar os pobres a seu favor.

Vivendo na cidade, sempre que temos de pensar algo em política, deveríamos a aprender a pensar algo também da psicologia dos que vivem na cidade sob a política. Inclusive deveríamos saber refletir sob nossa vida nisso tudo, sobre o nosso grau de inveja e frustração.


Fonte: http://ghiraldelli.pro.br/2012/09/23/os-pobres-e-a-politica/

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Artigo de Drauzio Varella sobre intolerância religiosa .

Alunos dos Primeiros Anos Regulares e Integrados em Informática e Logística, em continuação ao nosso tema sobre "Religiosidade e Tolerância" comentem o texto abaixo, não se esquecendo da criticidade e também da questão ética diante do artigo. Os comentários serão aceitos até o dia 29 de julho de 2012.

"Sou ateu e mereço o mesmo respeito
 que tenho pelos religiosos"

Intolerância Religiosa

O fervor religioso é uma arma assustadora, disposta 
a disparar contra os que pensam de modo diverso

A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.

Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.

Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido.

Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.

Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias.

Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande? Para hindus, muçulmanos e espíritas esse cristão não seria ateu?

Na realidade, a religião do próximo não passa de um amontoado de falsidades e superstições. Não é o que pensa o evangélico na encruzilhada quando vê as velas e o galo preto? Ou o judeu quando encontra um católico ajoelhado aos pés da virgem imaculada que teria dado à luz ao filho do Senhor? Ou o politeísta ao ouvir que não há milhares, mas um único Deus?


Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?

O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do Diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome Dele sejam cometidas as piores atrocidades.

Os pastores milagreiros da TV que tomam dinheiro dos pobres são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus, seriam considerados mensageiros de Satanás.

Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes aos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.

O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade -quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.

Para o crente, os ateus são desprezíveis, desprovidos de princípios morais, materialistas, incapazes de um gesto de compaixão, preconceito que explica por que tantos fingem crer no que julgam absurdo.

Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.

Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.

Artigo publicado na Folha de SP.

Fonte: http://blogdomarciotavares.blogspot.com.br/2012/04/artigo-de-drauzio-varella-sobre.html

Entrevista do Romário ao jornalista Cosme Rimoli - TV Record.


Alunos dos Segundos Anos Regulares e Integrados em Informática e Logística, em continuação ao nosso projeto sobre que "O VOTO TEM VALER" comentem o texto abaixo, não se esquecendo da criticidade e também da questão ética diante da política. Os comentários serão aceitos até o dia 29 de julho de 2012.



- Você foi recebido com preconceito em Brasília?

Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas... Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente... Preparada para a vida. E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.

- Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?

Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk... É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio. A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.

- Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos...

Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá...Pernambuco... Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze... Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas. Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na! organização da Copa no Brasil.

- São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?

Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto... E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.

- O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos. E entregue para um clube particular.

Você está falando do estádio do Corinthians, não é? Não vou concordar nunca. Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.

- A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?

Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.

- Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?

Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão. Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.

- Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal... Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?

Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro...

Entrevista concedida ao repórter Cosme Rímoli, da TV Record.

domingo, 3 de junho de 2012

Ética, Moral e Direito - Tema para discução.


Trabalho extra para os terceiros anos Integrados e Regulares. Data final: Dia da avaliação Trimestral de Filosofia.


 Videos para alunos dos terceiros anos Regulares e Integrados. 

Construir um relatório com base nos 3 videos relacionando com o tema liberdade. 



quarta-feira, 9 de maio de 2012

Publicidade que associa o cigarro à liberdade é criminosa.


Titulo original: Crime e castigo
por Drauzio Varella para a Folha

Difícil ler notícia boa na primeira página. Mas, segunda-feira, quando abri a Folha, só não caí de costas porque estava sentado. Vinha escrito que a Promotoria do Consumidor de São Paulo ajuizou ação contra a Souza Cruz e a Philip Morris Brasil, para que compensem os gastos públicos com as doenças causadas ou agravadas pelo fumo.

Explico as razões pelas quais o referido espanto por pouco não me transformou em mais uma das vítimas involuntárias do cigarro.

Há anos esta coluna defende que os fabricantes de cigarro paguem pelo tratamento das doenças que disseminam impunemente.

A Souza Cruz, que não é do senhor Souza e muito menos do senhor Cruz, e a Philip Morris, que não sei se algum dia pertenceu aos senhores Philip ou Morris, dominam mais de 80% do mercado nacional. Em linguagem mais precisa, fornecem droga para 80% dos dependentes de nicotina do país.

É um mercado cativo de mulheres e homens induzidos ao vício na puberdade e adolescência. São milhões de crianças arregimentadas por meio da publicidade criminosa que ligou o cigarro à liberdade, à performance esportiva e ao sucesso nas conquistas amorosas, veiculada sem restrições legais pelos meios de comunicação de massa até pouquíssimo tempo atrás.

Em matéria de dependência química, a nicotina é imbatível. Vicia mais que cocaína, heroína, crack, álcool, anfetamina ou qualquer droga já inventada. Em 40 anos de profissão, perdi a conta dos que sucumbiram às doenças causadas pelo fumo sem conseguir livrar-se dele, por mais que tenham tentado.

Por entender que os fabricantes de cigarro são responsáveis por vender uma droga que provoca câncer, enfisema, derrames cerebrais, ataques cardíacos e uma infinidade de outras patologias, tanto nos fumantes como nos que têm o azar de conviver com eles, o governo dos Estados Unidos processou as principais indústrias do setor com o objetivo de forçá-las a indenizar o sistema de saúde.

Da batalha judicial, resultou um acordo celebrado em 1998. As empresas se comprometeram a pagar US$ 206 bilhões, no período de 25 anos, para indenizar 46 Estados americanos. Flórida, Mississipi, Minnesota e Texas optaram por acordos isolados.

Na matéria publicada na Folha pelo jornalista Daniel Bergamasco, a assessoria da Souza Cruz faz questão de "ressaltar que a comercialização de cigarros no Brasil é atividade lícita e amplamente regulamentada e tributada pelo poder público, e que os riscos associados ao cigarro são de amplo conhecimento público há décadas".

Sem entrar no mérito do papel a que determinadas pessoas se sujeitam para ganhar a vida, é importante deixar claro que, de fato, os malefícios do cigarro são conhecidos há décadas. Pena que só pudessem chegar aos usuários mais esclarecidos (e só a eles) tão recentemente, porque as companhias citadas, em compadrio obsceno com suas congêneres, tradicionalmente arregimentaram médicos e cientistas de aluguel para criticar qualquer estudo que porventura demonstrasse a relação entre cigarro, doença e mortalidade. Sem falar no imenso poder intimidatório das verbas publicitárias na hora de calar a imprensa mundial.

Quem perpetrou tais crimes por mais de 50 anos, com o objetivo de universalizar uma epidemia causadora de mais mortes do que as guerras do século 20 somadas, por acaso tem idoneidade para dizer que fumantes adoecem por ignorar os avisos de que o cigarro mata?

Na cadeia, conheci um traficante de crack que usava a mesma lógica, porém com mais honestidade de princípios: "Eu vendo a morte, mas não induzo ninguém a comprar".

A ação indenizatória ora proposta coloca a Justiça brasileira diante de uma questão crucial: a vida de um cidadão americano vale mais?

Se nos Estados Unidos as companhias pagam mais de US$ 200 bilhões, por que razão no Brasil merecem ficar impunes? Talvez porque sejamos mais ricos? Ou devemos aceitar que somos inferiores?

A Promotoria do Consumidor de SP presta serviço exemplar à cidadania brasileira e ao nosso combalido sistema de saúde. Na pior das hipóteses, se por razões estranhas o pedido de indenização for julgado improcedente ou mofar nos escaninhos da burocracia, resta a alternativa de mover uma ação na Justiça americana.

Quando um avião cai por defeito numa peça, as famílias não processam o fabricante nos EUA?

Fonte: http://integras.blogspot.com.br/2007/08/artigo-de-drauzio-varella-contra.html Acesso: 09/05/2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

Drauzio Varella diz por que ateu desperta a ira do fanático religioso.


Texto extra para atividade com alunos dos terceiros anos regulares e integrados.


Título original: Intolerância religiosa
por Drauzio Varella para Folha

Sou ateu e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.


A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.

Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.

Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido.

Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.

Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias.

Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande? Para hindus, muçulmanos e espíritas esse cristão não seria ateu?

Na realidade, a religião do próximo não passa de um amontoado de falsidades e superstições. Não é o que pensa o evangélico na encruzilhada quando vê as velas e o galo preto? Ou o judeu quando encontra um católico ajoelhado aos pés da virgem imaculada que teria dado à luz ao filho do Senhor? Ou o politeísta ao ouvir que não há milhares, mas um único Deus?

Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?

O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do Diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome Dele sejam cometidas as piores atrocidades.

Os pastores milagreiros da TV que tomam dinheiro dos pobres são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus, seriam considerados mensageiros de Satanás.

Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes aos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.

O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade - quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.

Para o crente, os ateus são desprezíveis, desprovidos de princípios morais, materialistas, incapazes de um gesto de compaixão, preconceito que explica por que tantos fingem crer no que julgam absurdo.

Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.

Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.