sábado, 2 de novembro de 2013

Entrevista do Romário ao jornalista Cosme Rimoli - TV Record.



Alunos dos Segundos Anos Regulares e Integrado em Informática comentem o texto abaixo, não se esquecendo da criticidade e também da questão ética diante da política. Os comentários serão aceitos até as 20:00 horas do dia 14/11/2013. Bom trabalho a todos. Não se esqueçam que a atividade possui caráter avaliativo com pontuação extra.


Entrevista do Romário ao jornalista Cosme 
Rimoli - TV Record.

- Você foi recebido com preconceito em Brasília?
Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas... Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente... Preparada para a vida. E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.

- Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?
Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk... É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio. A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.

- Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos...
Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá...Pernambuco... Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze... Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas. Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na! organização da Copa no Brasil.

- São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?
Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto... E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.

- O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos. E entregue para um clube particular.
Você está falando do estádio do Corinthians, não é? Não vou concordar nunca. Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.

- A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?
Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.

- Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?
Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão. Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.

- Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal... Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?
Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro...


Entrevista concedida ao repórter Cosme Rímoli, da TV Record.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Lógica - Matéria para o Segundo Ano.



Para Aristóteles a filosofia tinha um objetivo essencialmente metodológico. Sua lógica se preocupava em apresentar o caminho correto para a investigação e a demonstração científicas. O conhecimento aristotélico baseava-se em:
·               Observação dos fenômenos particulares
·               Intuição dos princípios gerais ou universais a que os fenômenos obedeciam
·               Dedução de causas dos fenômenos particulares
Se esses princípios gerais fossem adequadamente formulados, e suas consequências corretamente deduzidas, as explicações só poderiam ser verdadeiras, segundo o ilustre filósofo.

Lógica

Considera-se que Aristóteles seja criador da lógica formal, embora a primeira formulação apareça na obra de Parmênides, filósofo pré-socrático que enunciou o princípio da não contradição: “o ser é e o não ser não é”. Assim se entende que: ao se afirmar algo sobre alguma coisa, não se pode afirmar ao mesmo tempo o contrário sobre essa mesma coisa, como dizer que o ser não é. O mesmo seria dizer que uma pessoa é alta e baixa ou gorda e magra, um absurdo do ponto de vista lógico.
         Outros dois princípios fundamentais da lógica:
·               Princípio da identidade – uma coisa é sempre idêntica a ela mesma (ou A = a)
·               Princípio do terceiro excluído – uma afirmação é verdadeira ou falsa, pois não é possível um terceiro valor.
Assim, dizer que “aquela mulher é Maria” é verdadeiro ou falso, pois não uma terceirapossibilidade.
Em continuidade a esse tipo de questão, Aristóteles declarou que a verdade e a certeza dependem de normas do pensamento que permitam demonstrações corretas e irrefutáveis. Seu projeto de forjar um instrumento mais seguro para a constituição da ciência gerou o Organon, conjunto de livros sobre a lógica: Categorias, Sobre a Interpretação, Analíticos Primeiros, Analíticos Segundos, Tópicos, Refutações Sofísticas.
Nessas obras sobre lógica, a dialética formulada por Platão se reduz à condição de exercício mental que, por não lidar com as próprias coisas, não podem atingir a verdade.
Essa concepção da dialética como “ginástica do espírito”, útil como fase preparatória, mas incapaz de chegar à certeza, justificativa a concepção aristotélica da história de da dialética – é útil e indispensável na medida em que conduz a própria superação, quando o provável se transforma em certeza, alcançada apenas pelo pensamento aristotélico.
No que diz respeito ao âmbito da lógica, Aristóteles estabeleceu uma diferenciação entre:
·               Lógica formal ou menor – entendida como a parte da lógica que estabelece a forma correta das operações intelectuais, ou seja, que garante a correção do raciocínio de tal forma que os princípios que descobre e as regras que formula se aplicam a todos os objetos do pensamento, quaisquer que sejam. Como as operações de espírito são em número de três – apreensão, juízo e raciocínio – a lógica formal compreende normalmente três partes, que tratam da apreensão e da ideia (do juízo e da proposição), di raciocínio e da argumentação.
·               Lógica material ou maior – também chamada modernamente de metodologia, corresponde à parte da lógica que determina as leis particulares e as regras especiais que decorrem da natureza dos objetos a conhecer. Ela define os métodos das matemáticas, da física, da química, das ciências naturais, das ciências morais etc., que são outras tantas lógicas especiais.
A lógica formal representa, portanto, o conjunto de regras de pensamentosindependentes do conteúdo dos pensamentos. O estabelecimento dessas normas nasceu num meio de retóricos e de sutis argumentadores, sendo necessário então partir de uma análise da linguagem corrente, para identificar seus diferentes usos e, ao mesmo tempo, enumerar os diversos sentidos atribuídos às palavras empregadas nas discussões. Eis porque as Categorias abrem Organon com pesquisas sobre as palavras, buscando evitar equívocos que resultam do uso de homônimos e sinônimos. Inicia o Organon com uma análise da linguagem, primeiro sobre as palavras (Categorias), depois as proposições (Sobre a Interpretação). Essa obra classifica as proposições segundo a quantidade e a qualidade em universais afirmativas (Todo homem, todo animal, toda flor etc.) universais negativas (nenhum homem, nenhum peixe), particulares afirmativas (Alguns homens são...) e particulares negativas (alguns homens não são...). Além disso, identifica cinco tipos de atributos possíveis nas proposições: gênero, espécie, diferença, próprio e acidente. Em seguida, elabora as regras do silogismo, procedimentos pelo qual as proposições são encadeadas rumo a uma conclusão necessária, como neste exemplo:
Todo homem é mortal
João é homem
Logo João é mortal
Conforme essas premissas, chega-se a uma conclusão evidente e irrefutável, mas para tanto é necessário seguir certas regras como as seguintes:
·               De duas proposições particulares, nada se segue
·               De duas proposições negativas, nada se segue
·               A conclusão que se segue de duas premissas afirmativas é uma afirmativa
Todo mecanismo do silogismo repousa no termo médio, justamente o que aparece em ambas as premissas e que permite sua junção. No exemplo citado, o termo médio é “homem”, pois é o que permite ligar “Todo homem é mortal” com “João é homem”. Observa-se que o termo médio jamais aparece na conclusão.
O silogismo também funciona com proposições falsas, como as premissas “Todo peixe voa” e “Bacalhau é peixe”, concluindo-se, portanto, que “Bacalhau voa”. Esse exemplo não fere nenhuma das regras da lógica, mas por outro lado, não condiz com a realidade. Aristóteles afirma então que a ciência não precisa apenas de coerência interna, entretanto deve ser o encadeamento lógico de verdades. Assim, para equivaler a uma demonstração científica, o silogismo deve ser formalmente rigoroso mediante premissas verdadeiras.
O conhecimento demonstrativo (silogismo) pressupõe conhecimentos indemonstráveis:
·               Axiomas – conhecimentos indemonstráveis que se impõem a qualquer sujeito pensante e se aplicam a qualquer objeto do conhecimento, como princípio da não contradição.
·               Definições nominais – explicitam o significado de determinado termo, como triângulo, sendo usados como teses, pontos de partida para uma demonstração
Os axiomas seriam comuns a todas as ciências; as definições nominais diriam respeito a setores particulares da investigação científica.
Como à ciência não basta ser internamente coerente, devendo ser uma ciência sobre a realidade, precisa ainda de hipóteses, pelas quais afirma a existência de certos objetos. A definição nominal diz apenas o que uma coisa é, mas não afirma que ela é, ou seja, que realmente existe. Afirmar a existência seria, assim, mais do que apresentar uma tese, explorar o significado de uma palavra; seria assumir uma hipótese. Por meio de hipóteses, cada ciência afirma a existência de certos objetos, o que não pode ser feito por demonstrações. A lógica, para não ficar restrita ao domínio das palavras, remete a especulações metafísicas.
O silogismo permite atingir e superar a hipótese, pois define a constituição essencial e necessária dos seres ao apontar o elo entre o gênero (animal) à diferença (racional), obtendo-se a espécie (homem). Justamente por apresentar um elo essencial e necessário entre gênero e diferença não pode haver definição essencial de “homem branco”, pois “branco” é acidente, atributo não essencial de “homem”. O indivíduo “Sócrates” por ser descrito minuciosamente, porém jamais definido. O indivíduo não é objeto de ciência –Aristóteles concorda com Platão. O silogismo constitui um tipo de prova racional e inaugura a longa corrente da lógica formal que evolui até hoje.
Aristóteles também foi o ponto de partida de comprovação racional de outro tipo, o argumentativo ou persuasivo, seguido por Perelman no século XX. Essa tradição voltou-se para a linguagem corrente, informal, buscando descobrir os requisitos da persuasão para maior força persuasiva de determinado argumento. O que se pretende não é obter uma conclusão necessária e universal como no silogismo, mas obter ou fortalecer a adesão de alguém a uma tese que lhe é proposta, permanecendo assim no âmbito do discurso não formalizado do intersubjetivo, do dialógico e do circunstancial.
Aplicando o silogismo (construção de definições científicas pelo relacionamento entre gêneros dos seres e suas diferenças específicas), O Liceu fez uma classificação acurada das espécies em gêneros e subdivisões. Rejeitando a teoria platônica das ideias, verificou a estrutura básica dos seres – a única realidade é a dos seres singulares e concretos. A partir disso, o conhecimento empírico, a ciência deveria estabelecer definições essenciais e atingir o universal.
O conhecimento da experiência é aplicável a casos. Já o conhecimento da ciência se dá por princípios. A sensação e a percepção nos advêm dos sentidos. Depois, memória e imaginação formam uma imagem, então desmaterializada por uma inteligência patiens, ao mesmo tempo universalizada, formando o conceito por um intelecto agens.
Assim, Aristóteles concordou com Platão ao considerar que só pode haver ciência do universal, cujo conhecimento implica consciência das razões que tornam necessária determinada afirmativa, necessidade essa que se evidencia quando se aplica a asserção, incluindo sua causa. O filósofo investiga nos analíticos exatamente encadeamento rigoroso de proposições, de modo a exprimir um raciocínio que pretenda concluir por uma afirmativa necessária. Ao contrário de Platão, que adotou o método da divisão (pode-se obter a definição de uma espécie por sucessivas divisões do gênero em que ela estiver contida), Aristóteles considera insuficiente esse procedimento, pois as dicotomias colocam opções sem determinar necessariamente o rumo a tomar. Com o silogismo surge um encadeamento necessário de afirmativas.
Enquanto Platão, movido pela índole matemática de seu sistema, considerava os objetos cópias imperfeitas de arquétipos que subsistiriam independentemente de seus reflexos passageiros, Aristóteles rejeitou a transcendência dos arquétipos, considerando-os uma duplicação desnecessária da realidade sensível. Para ele, a única realidade era constituída por seres singulares, concretos, mutáveis. Dessa realidade, isto é, do conhecimento empírico, é que a ciência deve tentar estabelecer definições essenciais e atingir o universal, seu objeto próprio. Toda a teoria aristotélica do conhecimento constitui uma explicação de como partir de dados sensíveis que mostram sempre o individual e concreto para chegar a formulações científicas necessárias e universais.
Essa passagem se faz por indução, que fornece o conceito. Ao contrário de Platão, Aristóteles não considerava o universal (pássaro, por exemplo) como algo subsistente e, portanto, substancial. Se o universal existe apenas na mente, sob a forma de conceito, ele não é criação subjetiva, mas está fundamentado na estrutura mesma dos objetos que o sujeito conhece pela sensação. Os conceitos não reproduziriam as ideias transcendentais, mas a estrutura inerente aos próprios objetos.

Exercícios.

1-        Explique o significado dos três princípios básicos da lógica formal.
·               Princípio da identidade
·               Princípio da não contradição
·               Princípio do terceiro excluído
2-        Diferencie lógica formal de lógica material, segundo a concepção aristotélica.
3-        Indique a obra de Aristóteles dedicada à lógica, bem como seus primeiros livros e os assuntos estudados neles.
4-        Classifique os juízos indicados segundo sua quantidade e qualidade.
a)               Toda casa é de madeira.
b)               Alguns cachorros não são bravos.
c)                Nenhuma guerra é justa.
d)               Alguns ladrões são bons.
5-        Identifique as três regras básicas para se formular um silogismo.
6-        Construa um silogismo apontando um termo médio.
7-        Estabeleça a distinção lógica entre validade e verdade fornecendo exemplos.
8-        Ao se referir aos silogismos, Aristóteles afirmou que se tratava de um tipo de conhecimento demonstrável, mas cuja execução exigia conhecimento indemonstráveis, que seriam os axiomas e as definições nominais. Explique o que são axiomas e definições nominais, fornecendo exemplos.
9-        Explique o significado do termo hipótese na lógica aristotélica.
10-     Expliqueque é a lógica persuasiva ou argumentativa. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Os sete períodos da História da Filosofia


1.            Filosofia Antiga (entre os séculos VI a. C. até VI d. C). Trata-se basicamente da Filosofia Grega que pode ser dividida em quatro períodos:

a.            Periodo PRÉ-SOCRÁTICO OU COSMOLÓGICO – do final do século VII a.C. ao final do século V a. C. Neste período os filósofos buscavam compreender a origem do cosmo  e tinham como entendimento que o universo é um todo ordenado e buscavam compreender os fenômenos da natureza.

b.            Periodo SOCRÁTICO OU ANTROPOLÓGICO – final do século V ao final do século IV a. C. Neste período os filósofos buscavam investigar as questões humanas ligadas a ética, aos comportamentos e aos conhecimentos humanos.

c.            Periodo SISTEMÁTICO - final do século IV a. C. ao final do século III a. C. Neste período o destaque era para o filósofo ARISTÓTELES que procurou sistematizar tudo o pensamento do período da filosofia antiga até o seu tempo (final do século III a. C).

d.            Periodo HELENISTICO OU GREGO-ROMANO -do século III a. C ao século VI d.C. Neste período observa-se as transformações na cultura grega na medida que a Grécia passa a fazer parte do Império Romano e, mais tarde, surge o Cristianismo.

2.            Filosofia Patrística – entre o século I ao seculo VII d. C. – a busca era conciliar o Cristianismo com o pensamento filosófico Greco-latino. Havia uma preocupação para as questões religiosas.  Desenvolveram as questões ligadas: a criação do mundo, o pecado original, a ressureição dos mortos, moral, a consciência, o livre arbítrio e as relações entre a fé e a razão. Deu origem a Hodierna Teologia.

3.            Filosofia Medieval ou Escolástica – entre o século VIII d. C. ao século XIV d.C  – Abrange pensadores europeus, árabes e judeus. Houve uma forte influencia pelos pensamentos dos filósofos PLATÃO E ARISTÓTELES mantendo em discussão os mesmos temas do período da Filosofia Patrística. Uma particularidade desta época era a disputa das ideias onde através de uma tese esta deveria ser refutada ou defendida segundo os argumentos de autoridades tirados da Bíblia ou de Platão ou de Aristóteles ou de outros padres (do período da Filosofia Patrística).

4.            Filosofia da Renascença - entre o século XIV d. C. ao século XVI d.C  - Neste período foi resgatado obras perdidas de diversos autores Greco-latinos, escritos de Platão e Aristóteles. Há uma preocupação com a política e a centralidade do homem. Este período é marcado pela passagem do pensamento Teocentrico (centrado em Deus) para um pensamento Antropocentrico (centrado no ser humano).

5.            Filosofia Moderna - entre o século XVII d. C. ao século XVIII d.C  - Neste período é valorizado a reflexão como ponto de partida do raciocínio filosófico. Acredita-se que tudo o que desejamos conhecer deve poder ser transformado em uma ideia clara e demonstrável formulada pelo intelecto. A realidade é vista como algo intrinsecamente racional: a Natureza e a Sociedade são racionais em si mesma. Essa percepção da realidade como um sistema de realidades racionais rigorosamente possíveis de serem conhecidas e transformadas pelos seres humanos deu origem a Ciencia.

6.            Filosofia da Ilustração ou Iluminismo - entre o século XVIII d. C. ao século XIX d.C  - Neste período é o objetivo é levar o ser humano as luzes que estão na razão humana manifestada em todas as formas de conhecimento racional. Pela razão, o ser humano atingiria a liberdade (política, social, religiosa, moral, superstição...). Acreditava-se que está na razão o aperfeiçoamento moral, social, técnico, político e artístico realizado pela vontade livre dos seres humanos.


7.            Filosofia Contemporanea - entre o século XIX d.C  até os nossos dias – onde se vivencia grandes transformações sociais como a ascensão da burguesia ao poder, pelo avanço científico e tecnológico, surgimento de novos países, vivencia de duas guerras mundiais e pelas ameaças de extinção de vida na terra.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Períodos e campos de Investigação da Filosofia Grega.

Os períodos da Filosofia Grega São:

1º Período Pré-Socrático ou cosmológico – do fim do século VII a.C. ao fim do século V a.C., quando a filosofia se ocupa fundamentalmente com a origem do mundo e as causas das transformações na natureza.

2º Período Socrático ou antropológico – do fim do século V a.C. a todo século IV a.C, quando a filosofia investiga as questões humanas, isto é, a ética, a política e as técnicas, e busca compreender qual é o lugar do homem no mundo.

3º Período Sistemático – do fim do século IV a.C ao fim do século III a.C., quando a filosofia busca reunir e sistematizar tudo que foi pensado pela cosmologia e política nas técnicas. Nesse período desenvolvem-se a teoria do conhecimento, a psicologia e a lógica. Além disso, os filósofos procuram encontrar o fundamento último de todas as coisas ou da realidade inteira, e essa investigação, séculos mais tarde, será designada com o nome metafísica.

Período helenístico ou greco-romano – do fim do século III a.C. ao século VI d.C. Nesse longo período, que abrange a época do domínio mundial de Roma e do surgimento do cristianismo, a filosofia se ocupa sobretudo com as questões da ética, do conhecimento humano e das relações entre o homem e a natureza, e de ambos com Deus.
Pode-se perceber que os dois primeiros períodos da filosofia grega têm como referência o filósofo Sócrates de Atenas, donde a divisão em filosofia pré-socrática e socrática.

A civilização helenística, decorrente da fusão da cultura grega com a oriental, caracterizava-se pelo universalismo e cosmopolitismo. Um novo clima intelectual se formou em substituição aos antigos nacionalismos das cidades-Estado. Nas comunicações mediterrâneas, a civilização começa a aparecer como um valor comum a todos os homens.
As religiões se fundiram em um sincretismo, tendendo à adoração geral de todos os deuses, independentemente da sua origem.
O pensamento helenístico foi uma reação à resignação de Epicuro que aconselhava a busca dos verdadeiros prazeres, os que seriam duráveis na vida.

Os avanços do conhecimento grego antigo
O movimento intelectual se acentuou entre os gregos. Escrevia-se e lia-se sobre todos os assuntos. Na arte, o estudo da personalidade humana fez do retrato o gênero da moda. Euclides (séc. III a.C.) fundou uma escola de matemática em Alexandria, onde estudou  um dos grandes sábios da humanidade, Arquimedes (287-212 a.C), que tirou a ciência dos entraves idealistas do pensamento platônico, desenvolveu a matemática e a estética. Aristarco (séc. II a.C) calculou a distância entre a Terra e a Lua, afirmou o heliocentrismo e que a Lua giraria em torno da Terra, e que as estrelas fixas estavam mais distantes que o sol. Eratóstenes (284-192 a.C) calculou a circunferência da Terra e fez um mapa com um oceano em volta de todo o globo.
Todo esse conhecimento científico só alcançaria o Ocidente no fim da Idade Média e início da moderna. Os gregos, por meio do raciocínio lógico, avançaram bastante no conhecimento, mas não na tecnologia.

Sócrates contra os sofistas
Sócrates rebelou-se contra os sofistas, dizendo que eles não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer ideia, se fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valerem tanto como a verdade.
Discordando dos antigos poetas, dos antigos filósofos e dos sofistas, o que propunha Sócrates? Propunha que, antes de querer conhecer a natureza a antes de querer persuadir os outros, cada um deveria primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. Por fazer do autoconhecimento a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros é o que se diz que o período socrático é antropológico, isto é, volta-se para o conhecimento do homem.

As ideias de Sócrates.
Sabemos que os poderosos têm medo do pensamento, pois o poder é mais forte e se ninguém pensar, se todos aceitarem as coisas como elas são, ou melhor, como nos dizem e nos fazem acreditar que são. Para os poderosos de Atenas, Sócrates torna-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado à assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno, a cicuta.
Por que Sócrates não se defendeu? “Por que”, dizia ele, “se eu me defender, estarei aceitando as acusações, eu não as aceito. Se eu me defender, o que o juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. Mas eu prefiro a morte a ter que renunciar à filosofia.

Exercícios

1-     Quais os principais períodos da filosofia grega?
2-     O que ensinavam os sofistas?
3-     O que propunha Sócrates contra os sofistas?
4-     Por que Sócrates não se defendeu das acusações recebidas?
5-     O que a filosofia investiga no período socrático ou antropológico?
6-     Qual o papel da Filosofia no Período Sistemático? O que se desenvolveu nesse período?
7-     De se ocupa a filosofia no Período Helenístico ou greco-romano? 

8-     Discordando dos antigos poetas, dos antigos filósofos e dos sofistas, o que propunha Sócrates?