quarta-feira, 31 de julho de 2013

Os sete períodos da História da Filosofia


1.            Filosofia Antiga (entre os séculos VI a. C. até VI d. C). Trata-se basicamente da Filosofia Grega que pode ser dividida em quatro períodos:

a.            Periodo PRÉ-SOCRÁTICO OU COSMOLÓGICO – do final do século VII a.C. ao final do século V a. C. Neste período os filósofos buscavam compreender a origem do cosmo  e tinham como entendimento que o universo é um todo ordenado e buscavam compreender os fenômenos da natureza.

b.            Periodo SOCRÁTICO OU ANTROPOLÓGICO – final do século V ao final do século IV a. C. Neste período os filósofos buscavam investigar as questões humanas ligadas a ética, aos comportamentos e aos conhecimentos humanos.

c.            Periodo SISTEMÁTICO - final do século IV a. C. ao final do século III a. C. Neste período o destaque era para o filósofo ARISTÓTELES que procurou sistematizar tudo o pensamento do período da filosofia antiga até o seu tempo (final do século III a. C).

d.            Periodo HELENISTICO OU GREGO-ROMANO -do século III a. C ao século VI d.C. Neste período observa-se as transformações na cultura grega na medida que a Grécia passa a fazer parte do Império Romano e, mais tarde, surge o Cristianismo.

2.            Filosofia Patrística – entre o século I ao seculo VII d. C. – a busca era conciliar o Cristianismo com o pensamento filosófico Greco-latino. Havia uma preocupação para as questões religiosas.  Desenvolveram as questões ligadas: a criação do mundo, o pecado original, a ressureição dos mortos, moral, a consciência, o livre arbítrio e as relações entre a fé e a razão. Deu origem a Hodierna Teologia.

3.            Filosofia Medieval ou Escolástica – entre o século VIII d. C. ao século XIV d.C  – Abrange pensadores europeus, árabes e judeus. Houve uma forte influencia pelos pensamentos dos filósofos PLATÃO E ARISTÓTELES mantendo em discussão os mesmos temas do período da Filosofia Patrística. Uma particularidade desta época era a disputa das ideias onde através de uma tese esta deveria ser refutada ou defendida segundo os argumentos de autoridades tirados da Bíblia ou de Platão ou de Aristóteles ou de outros padres (do período da Filosofia Patrística).

4.            Filosofia da Renascença - entre o século XIV d. C. ao século XVI d.C  - Neste período foi resgatado obras perdidas de diversos autores Greco-latinos, escritos de Platão e Aristóteles. Há uma preocupação com a política e a centralidade do homem. Este período é marcado pela passagem do pensamento Teocentrico (centrado em Deus) para um pensamento Antropocentrico (centrado no ser humano).

5.            Filosofia Moderna - entre o século XVII d. C. ao século XVIII d.C  - Neste período é valorizado a reflexão como ponto de partida do raciocínio filosófico. Acredita-se que tudo o que desejamos conhecer deve poder ser transformado em uma ideia clara e demonstrável formulada pelo intelecto. A realidade é vista como algo intrinsecamente racional: a Natureza e a Sociedade são racionais em si mesma. Essa percepção da realidade como um sistema de realidades racionais rigorosamente possíveis de serem conhecidas e transformadas pelos seres humanos deu origem a Ciencia.

6.            Filosofia da Ilustração ou Iluminismo - entre o século XVIII d. C. ao século XIX d.C  - Neste período é o objetivo é levar o ser humano as luzes que estão na razão humana manifestada em todas as formas de conhecimento racional. Pela razão, o ser humano atingiria a liberdade (política, social, religiosa, moral, superstição...). Acreditava-se que está na razão o aperfeiçoamento moral, social, técnico, político e artístico realizado pela vontade livre dos seres humanos.


7.            Filosofia Contemporanea - entre o século XIX d.C  até os nossos dias – onde se vivencia grandes transformações sociais como a ascensão da burguesia ao poder, pelo avanço científico e tecnológico, surgimento de novos países, vivencia de duas guerras mundiais e pelas ameaças de extinção de vida na terra.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Períodos e campos de Investigação da Filosofia Grega.

Os períodos da Filosofia Grega São:

1º Período Pré-Socrático ou cosmológico – do fim do século VII a.C. ao fim do século V a.C., quando a filosofia se ocupa fundamentalmente com a origem do mundo e as causas das transformações na natureza.

2º Período Socrático ou antropológico – do fim do século V a.C. a todo século IV a.C, quando a filosofia investiga as questões humanas, isto é, a ética, a política e as técnicas, e busca compreender qual é o lugar do homem no mundo.

3º Período Sistemático – do fim do século IV a.C ao fim do século III a.C., quando a filosofia busca reunir e sistematizar tudo que foi pensado pela cosmologia e política nas técnicas. Nesse período desenvolvem-se a teoria do conhecimento, a psicologia e a lógica. Além disso, os filósofos procuram encontrar o fundamento último de todas as coisas ou da realidade inteira, e essa investigação, séculos mais tarde, será designada com o nome metafísica.

Período helenístico ou greco-romano – do fim do século III a.C. ao século VI d.C. Nesse longo período, que abrange a época do domínio mundial de Roma e do surgimento do cristianismo, a filosofia se ocupa sobretudo com as questões da ética, do conhecimento humano e das relações entre o homem e a natureza, e de ambos com Deus.
Pode-se perceber que os dois primeiros períodos da filosofia grega têm como referência o filósofo Sócrates de Atenas, donde a divisão em filosofia pré-socrática e socrática.

A civilização helenística, decorrente da fusão da cultura grega com a oriental, caracterizava-se pelo universalismo e cosmopolitismo. Um novo clima intelectual se formou em substituição aos antigos nacionalismos das cidades-Estado. Nas comunicações mediterrâneas, a civilização começa a aparecer como um valor comum a todos os homens.
As religiões se fundiram em um sincretismo, tendendo à adoração geral de todos os deuses, independentemente da sua origem.
O pensamento helenístico foi uma reação à resignação de Epicuro que aconselhava a busca dos verdadeiros prazeres, os que seriam duráveis na vida.

Os avanços do conhecimento grego antigo
O movimento intelectual se acentuou entre os gregos. Escrevia-se e lia-se sobre todos os assuntos. Na arte, o estudo da personalidade humana fez do retrato o gênero da moda. Euclides (séc. III a.C.) fundou uma escola de matemática em Alexandria, onde estudou  um dos grandes sábios da humanidade, Arquimedes (287-212 a.C), que tirou a ciência dos entraves idealistas do pensamento platônico, desenvolveu a matemática e a estética. Aristarco (séc. II a.C) calculou a distância entre a Terra e a Lua, afirmou o heliocentrismo e que a Lua giraria em torno da Terra, e que as estrelas fixas estavam mais distantes que o sol. Eratóstenes (284-192 a.C) calculou a circunferência da Terra e fez um mapa com um oceano em volta de todo o globo.
Todo esse conhecimento científico só alcançaria o Ocidente no fim da Idade Média e início da moderna. Os gregos, por meio do raciocínio lógico, avançaram bastante no conhecimento, mas não na tecnologia.

Sócrates contra os sofistas
Sócrates rebelou-se contra os sofistas, dizendo que eles não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer ideia, se fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valerem tanto como a verdade.
Discordando dos antigos poetas, dos antigos filósofos e dos sofistas, o que propunha Sócrates? Propunha que, antes de querer conhecer a natureza a antes de querer persuadir os outros, cada um deveria primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. Por fazer do autoconhecimento a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros é o que se diz que o período socrático é antropológico, isto é, volta-se para o conhecimento do homem.

As ideias de Sócrates.
Sabemos que os poderosos têm medo do pensamento, pois o poder é mais forte e se ninguém pensar, se todos aceitarem as coisas como elas são, ou melhor, como nos dizem e nos fazem acreditar que são. Para os poderosos de Atenas, Sócrates torna-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado à assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno, a cicuta.
Por que Sócrates não se defendeu? “Por que”, dizia ele, “se eu me defender, estarei aceitando as acusações, eu não as aceito. Se eu me defender, o que o juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. Mas eu prefiro a morte a ter que renunciar à filosofia.

Exercícios

1-     Quais os principais períodos da filosofia grega?
2-     O que ensinavam os sofistas?
3-     O que propunha Sócrates contra os sofistas?
4-     Por que Sócrates não se defendeu das acusações recebidas?
5-     O que a filosofia investiga no período socrático ou antropológico?
6-     Qual o papel da Filosofia no Período Sistemático? O que se desenvolveu nesse período?
7-     De se ocupa a filosofia no Período Helenístico ou greco-romano? 

8-     Discordando dos antigos poetas, dos antigos filósofos e dos sofistas, o que propunha Sócrates?

O nascimento da lógica.


O nascimento da lógica.
É lógico!
                A lógica aparece como se fosse a conclusão de um implícito compartilhado pelos interlocutores do discurso.
A expressão seria a conclusão de algo que eu ou outra pessoa sabemos, como se estivesse dizendo: sabendo que ela é, o que pensa, gosta, quer, o que costuma dizer e fazer, e vendo o que está agora, concluo que é evidente que ela disso isso, pois era de se esperar que ela dissesse.
É lógico indica uma conclusão que deveria ser obvia.
Não é lógico indica o contrário.
E também podemos não conhecer o suficiente para saber se é lógico ou não.
Ao usarmos a palavra lógica estamos retornando a tradição do pensamento que se origina na filosofia grega.
Heráclito e Parmênides (Filósofos pré-socráticos)
Os primeiros filósofos se preocupavam com o devir (origem, transformação e desaparecimento de todos os seres).
                Heráclito de Efeso - afirmava que somente a mudança é real e a permanência, ilusória. Dizendo que o mundo é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo.
                Parmênides de Eléia – afirmava que somente a identidade e a permanência são reais e a mudança ilusória. Dizendo que “a guerra (ou luta) é o pai de todas as coisas”. O dia se opõe à noite, o quente ao frio, o úmido ao seco, o bom ao mal, o novo ao velho. A ordem do mundo são essas oposições e a mudança contínua um no outro.
                O ser na visão de Parmênides é o logos, porque é sempre idêntico a si mesmo, sem contradições, imutável e imperecível . O devir, o fluxo dos contrários, é a aparência sensível mera opinião que formamos porque confundimos a realidade com as nossas sensações e lembranças. A mudança é o não ser, o nada, impensável e indizível.
                O pensamento só tendo validade se o que pensamos e dizemos guardarem a identidade, forem permanentes, pois só podemos dizer e pensar aquilo que é sempre idêntico.
                A mudança é impossível, do ponto de vista do pensamento e só existe como aparência ou ilusão dos sentidos.
                Parmênides introduz a idéia de que o que é contraditório a si mesmo, ou se torna o contrário do que era, ou não pode ser (existir), não pode ser pensado nem dito porque é contraditório, e a contradição é o impensável e o indizível, uma vez que uma coisa que se torna o oposto de si mesma destrói-se a si mesma.   
O devir é não ser. Por isso somente o ser pode ser pensado e dito.
Heráclito afirmava que a verdade e o logos são a mudança das coisas nos seus contrários, enquanto que Parmênides afirmava que são a identidade do ser imutável, oposto à aparência sensível da luta dos contrários.
Para Heráclito, a contradição é uma lei racional da realidade; para Parmênides, a identidade é essa lei racional.
A história da filosofia grega é a história de um gigantesco esforço para encontrar uma solução para o problema posto por Heráclito e Parmênides, pois se o primeiro tem razão, o pensamento deve ser um fluxo perpétuo e a verdade, a perpétua contradição dos seres em mudança continua; mas se Parmênides tem razão, o mundo em que vivemos não tem sentido, não pode ser conhecido, é uma aparência impensável e nos faz viver na ilusão.
Seria necessário provar que os contrários existem e podem ser pensados, mas, ao mesmo tempo provar que identidade ou permanência dos seres também existe, é verdadeira e pode ser pensada.
Como então encontrar a solução?
A busca dessa solução teve como consequência o surgimento de duas disciplinas filosóficas: a lógica e metafísica ou ontologia.
A dialética platônica.
Platão concorda com Heráclito no que se refere ao mundo material, chamando este de mundo sensível e dizendo que nele há o devir permanente.
Platão dizia que o mundo sensível é uma aparência (é o mundo dos prisioneiros da caverna) é uma cópia ou sombra do mundo verdadeiro e real. E nesse sentido Parmênides é que tem razão. O mundo verdadeiro é o das essências imutáveis, portanto, sem contradições, nem oposições, sem transformação, onde nenhum ser passa para o seu contraditório. Esse mundo chamado por Platão de mundo Inteligível.
Na dialética platônica é necessário identificar qual dos contrários é verdadeiro e qual é falso. Essa divisão acontece até que não seja mais possível dividir, chegando a essência da coisa investigada.
A dialética vai separando os opostos em pares, mostrando que um é aparência e ilusão, e o outro, verdadeiro, até chegar a essência da coisa.
Chegando-se ao mundo sensível como Heraclitiano (luta dos contrários e mudança incessante) e o mundo inteligível como parmenidiano (a perene identidade consigo mesma de cada ieéia ou de cada essência.
A analítica aristotélica
 Aristóteles ≠ de Platão.
Acha desnecessário separar a realidade e a aparência em dois mundos diferentes havendo um único mundo no qual existem essência e aparência.
                Para Platão a dialética é um modo de conhecer. Para Aristóteles a lógica é um instrumento para conhecer.

Exercícios
1-        O que indica a expressão é lógico?
2-        O que se expressa quando se diz que algo não é lógico?
3-        A que estamos retornando quando usamos a palavra lógica?
4-        Segundo o conteúdo estudado, com o que se preocupavam os primeiros filósofos?
5-        O que afirmava Heráclito de Éfeso?
6-        O que afirmava Parmênides de Eléia?
7-        O que é o ser na visão de Parmênides?
8-        O que é a contradição para Heráclito?
9-        O que é a dialética para Platão?
10-     O que é a analítica ou lógica aristotélica?