terça-feira, 30 de julho de 2013

O nascimento da lógica.


O nascimento da lógica.
É lógico!
                A lógica aparece como se fosse a conclusão de um implícito compartilhado pelos interlocutores do discurso.
A expressão seria a conclusão de algo que eu ou outra pessoa sabemos, como se estivesse dizendo: sabendo que ela é, o que pensa, gosta, quer, o que costuma dizer e fazer, e vendo o que está agora, concluo que é evidente que ela disso isso, pois era de se esperar que ela dissesse.
É lógico indica uma conclusão que deveria ser obvia.
Não é lógico indica o contrário.
E também podemos não conhecer o suficiente para saber se é lógico ou não.
Ao usarmos a palavra lógica estamos retornando a tradição do pensamento que se origina na filosofia grega.
Heráclito e Parmênides (Filósofos pré-socráticos)
Os primeiros filósofos se preocupavam com o devir (origem, transformação e desaparecimento de todos os seres).
                Heráclito de Efeso - afirmava que somente a mudança é real e a permanência, ilusória. Dizendo que o mundo é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo.
                Parmênides de Eléia – afirmava que somente a identidade e a permanência são reais e a mudança ilusória. Dizendo que “a guerra (ou luta) é o pai de todas as coisas”. O dia se opõe à noite, o quente ao frio, o úmido ao seco, o bom ao mal, o novo ao velho. A ordem do mundo são essas oposições e a mudança contínua um no outro.
                O ser na visão de Parmênides é o logos, porque é sempre idêntico a si mesmo, sem contradições, imutável e imperecível . O devir, o fluxo dos contrários, é a aparência sensível mera opinião que formamos porque confundimos a realidade com as nossas sensações e lembranças. A mudança é o não ser, o nada, impensável e indizível.
                O pensamento só tendo validade se o que pensamos e dizemos guardarem a identidade, forem permanentes, pois só podemos dizer e pensar aquilo que é sempre idêntico.
                A mudança é impossível, do ponto de vista do pensamento e só existe como aparência ou ilusão dos sentidos.
                Parmênides introduz a idéia de que o que é contraditório a si mesmo, ou se torna o contrário do que era, ou não pode ser (existir), não pode ser pensado nem dito porque é contraditório, e a contradição é o impensável e o indizível, uma vez que uma coisa que se torna o oposto de si mesma destrói-se a si mesma.   
O devir é não ser. Por isso somente o ser pode ser pensado e dito.
Heráclito afirmava que a verdade e o logos são a mudança das coisas nos seus contrários, enquanto que Parmênides afirmava que são a identidade do ser imutável, oposto à aparência sensível da luta dos contrários.
Para Heráclito, a contradição é uma lei racional da realidade; para Parmênides, a identidade é essa lei racional.
A história da filosofia grega é a história de um gigantesco esforço para encontrar uma solução para o problema posto por Heráclito e Parmênides, pois se o primeiro tem razão, o pensamento deve ser um fluxo perpétuo e a verdade, a perpétua contradição dos seres em mudança continua; mas se Parmênides tem razão, o mundo em que vivemos não tem sentido, não pode ser conhecido, é uma aparência impensável e nos faz viver na ilusão.
Seria necessário provar que os contrários existem e podem ser pensados, mas, ao mesmo tempo provar que identidade ou permanência dos seres também existe, é verdadeira e pode ser pensada.
Como então encontrar a solução?
A busca dessa solução teve como consequência o surgimento de duas disciplinas filosóficas: a lógica e metafísica ou ontologia.
A dialética platônica.
Platão concorda com Heráclito no que se refere ao mundo material, chamando este de mundo sensível e dizendo que nele há o devir permanente.
Platão dizia que o mundo sensível é uma aparência (é o mundo dos prisioneiros da caverna) é uma cópia ou sombra do mundo verdadeiro e real. E nesse sentido Parmênides é que tem razão. O mundo verdadeiro é o das essências imutáveis, portanto, sem contradições, nem oposições, sem transformação, onde nenhum ser passa para o seu contraditório. Esse mundo chamado por Platão de mundo Inteligível.
Na dialética platônica é necessário identificar qual dos contrários é verdadeiro e qual é falso. Essa divisão acontece até que não seja mais possível dividir, chegando a essência da coisa investigada.
A dialética vai separando os opostos em pares, mostrando que um é aparência e ilusão, e o outro, verdadeiro, até chegar a essência da coisa.
Chegando-se ao mundo sensível como Heraclitiano (luta dos contrários e mudança incessante) e o mundo inteligível como parmenidiano (a perene identidade consigo mesma de cada ieéia ou de cada essência.
A analítica aristotélica
 Aristóteles ≠ de Platão.
Acha desnecessário separar a realidade e a aparência em dois mundos diferentes havendo um único mundo no qual existem essência e aparência.
                Para Platão a dialética é um modo de conhecer. Para Aristóteles a lógica é um instrumento para conhecer.

Exercícios
1-        O que indica a expressão é lógico?
2-        O que se expressa quando se diz que algo não é lógico?
3-        A que estamos retornando quando usamos a palavra lógica?
4-        Segundo o conteúdo estudado, com o que se preocupavam os primeiros filósofos?
5-        O que afirmava Heráclito de Éfeso?
6-        O que afirmava Parmênides de Eléia?
7-        O que é o ser na visão de Parmênides?
8-        O que é a contradição para Heráclito?
9-        O que é a dialética para Platão?
10-     O que é a analítica ou lógica aristotélica?

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